Pular para o conteúdo

Paraguaios protestam após quebra de banco digital Ueno e renúncia do presidente do BC

Paraguai vive onda de protestos em meio a crise bancária Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção nesta terça-feira (3) para exigir acesso ao próprio dinheiro após uma crise envolvendo o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de 3 milhões de clientes...

G
G1 - Economia Fonte Externa
4 de novembro de 2026 • 5 min de leitura
Paraguaios protestam após quebra de banco digital Ueno e renúncia do presidente do BC

Paraguai vive onda de protestos em meio a crise bancária

Milhares de paraguaios foram às ruas de Assunção nesta terça-feira (3) para exigir acesso ao próprio dinheiro após uma crise envolvendo o Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de 3 milhões de clientes.

O Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar os impactos da crise sobre o sistema financeiro. O caso levou à renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, e aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña.

📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia

A instituição, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco, que indica sua capacidade de cumprir obrigações financeiras, caiu para menos da metade do mínimo exigido por lei.

LEIA TAMBÉM: Paraguai: entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BC

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno

Daniel Duarte / AFP

A crise afetou diretamente os clientes. Nesta terça-feira, quem procurou as agências do Ueno encontrou as portas fechadas. Aplicativos e cartões também deixaram de funcionar, prejudicando inclusive aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.

O banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos de previdência pública.

Diante da situação, clientes foram às ruas para cobrar a liberação do dinheiro depositado no banco. Houve confrontos entre manifestantes e policiais em Assunção.

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno

Daniel Duarte / AFP

"Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno", disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores da capital paraguaia. "Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim."

Para tentar conter os efeitos da crise, o presidente Santiago Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que permitirá utilizar recursos do Fundo de Garantia do país para ressarcir os depositantes.

Peña também afirmou que a medida deve assegurar a devolução de recursos públicos mantidos no banco, incluindo valores do IPS e de outros fundos de previdência.

Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno.

DANIEL DUARTE/AFP

Investigação e pressão sobre o governo

O Ministério Público solicitou a abertura de uma investigação criminal sobre o caso e a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno. Os detidos incluem integrantes da direção e do grupo controlador da instituição.

O banco já vinha sendo alvo de uma fiscalização mais rigorosa nos últimos meses. Órgãos reguladores investigavam se o Ueno havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. A instituição negou participação na operação.

O episódio também aumentou a pressão sobre o governo de Peña. O presidente paraguaio foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025.

Além disso, Carvallo, que comandou o Ueno até agosto de 2023, vinha sendo criticado por parlamentares por sua atuação na supervisão da instituição. As críticas também atingiam o Banco Central, cuja cúpula foi alvo de pedidos de afastamento por congressistas, após rejeitar um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto.

Ao anunciar sua renúncia, Carvallo afirmou que permaneceria no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise.

Segundo ele, sua saída ajudaria a reduzir as controvérsias em torno do Banco Central e permitiria que a instituição e a Superintendência de Bancos atuassem sem disputas políticas e pressão da imprensa.

O Banco Central afirmou que o caso do Ueno é isolado e não indica problemas mais amplos no sistema financeiro paraguaio. Peña também tentou afastar preocupações sobre a estabilidade do setor.

"Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional", declarou o presidente.

Peña acrescentou que os responsáveis pelo caso "devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios".

A Superintendência de Bancos deverá nomear auditores para avaliar a situação dos ativos do Ueno.

A crise também chegou ao mercado financeiro. As preocupações com o banco pressionaram os títulos em dólar emitidos pela instituição, com vencimento em 2031, além dos títulos da dívida pública paraguaia.

* Com informações da agência Reuters.

Conteúdo importado automaticamente via RSS de G1 - Economia.

Todos os direitos autorais e de propriedade intelectual pertencem ao veículo de origem. Leia a matéria completa na fonte original

Gostou? Compartilhe

Mande para os amigos ou publique nas suas redes.

Comentários (0)

Nenhum comentário publicado ainda.

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião sobre esta matéria!

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será divulgado publicamente. Comentários passam por moderação antes da publicação.

Comércio Local

Guia Comercial & Parceiros Recomendados

Conheça as empresas, lojas e prestadores de serviço que apoiam a nossa emissora.

Acessar Guia Completo →